IA na saúde já é usada por 18% dos estabelecimentos no Brasil
Levantamento da TIC Saúde mostra avanço da tecnologia, maior adesão na rede privada e desafios para ampliar o uso.
A inteligência artificial já faz parte da rotina de parte do setor de saúde no Brasil. Segundo a pesquisa TIC Saúde 2025, 18% dos estabelecimentos de atendimento no país utilizam a tecnologia, com adesão maior na rede privada do que na pública.
Os números ajudam a dimensionar como a IA vem entrando em áreas que vão da organização administrativa ao apoio clínico. Ao mesmo tempo, o levantamento mostra que a expansão ainda esbarra em custos, falta de prioridade institucional e limitações ligadas a dados e capacitação.
Onde a inteligência artificial já é usada
De acordo com o estudo divulgado pelo CGI.br, a presença de IA aparece em diferentes etapas do funcionamento das unidades de saúde. As aplicações mais citadas pelos gestores foram:
- Organização de processos clínicos e administrativos;
- Segurança digital;
- Eficiência dos tratamentos;
- Logística;
- Gestão de recursos humanos e recrutamento;
- Apoio a diagnósticos;
- Dosagem de medicamentos.
Esses usos mostram que a tecnologia não está restrita a uma única função. Ela aparece tanto em tarefas operacionais quanto em atividades que podem interferir diretamente na assistência ao paciente.
Rede privada adota mais que a pública
A pesquisa aponta diferença clara entre os tipos de estabelecimento. Na rede pública, 11% informaram usar IA. Já entre os privados, o índice sobe para 25%.
Essa distância sugere que a adoção ainda depende de fatores como investimento, infraestrutura digital e capacidade de planejamento. Em hospitais maiores, especialmente os que têm mais de 50 leitos, a implantação tende a enfrentar barreiras mais complexas.
Principais obstáculos para ampliar o uso
Entre os gestores ouvidos, os entraves mais mencionados foram:
- Custos elevados;
- Falta de priorização institucional;
- Limitações de dados e capacitação.
Os percentuais mais altos apareceram justamente em hospitais maiores, onde 63% apontaram custo elevado, 56% citaram falta de prioridade e 51% destacaram problemas ligados a dados e treinamento.
Segurança, qualificação e regras entram na discussão
A adoção de IA na saúde exige mais do que tecnologia disponível. O uso em ambientes que lidam com informações sensíveis demanda profissionais preparados, processos claros e cuidado com a segurança das decisões apoiadas por algoritmos.
Para o Cetic.br, a consolidação de diretrizes e marcos regulatórios é parte essencial desse avanço. A preocupação é garantir que a aplicação da IA ocorra de forma segura, responsável e alinhada à proteção de dados dos pacientes.
Outras tecnologias também avançam
Além da inteligência artificial, o levantamento registrou outras ferramentas digitais em uso no setor. A internet das coisas aparece em 9% dos estabelecimentos, enquanto 5% relatam uso de tecnologia robótica com internet.
No relacionamento com os pacientes, alguns serviços online já estão mais difundidos. A visualização de resultados de exames foi disponibilizada por 39% dos estabelecimentos, o agendamento de consultas por 34% e o agendamento de exames por 32%.
O que os dados indicam sobre o futuro da saúde digital
Os resultados da TIC Saúde mostram que a digitalização do setor avança, mas ainda de forma desigual. A inteligência artificial já entrou em parte importante da rede, principalmente no segmento privado, porém seu uso em larga escala depende de investimento, preparo técnico e decisão institucional.
Na prática, o cenário revela uma transição: a saúde brasileira já experimenta soluções baseadas em IA, mas ainda precisa estruturar melhor as condições para que elas sejam adotadas com consistência e segurança em mais estabelecimentos.
| Indicador | Percentual |
|---|---|
| Estabelecimentos que usam IA no país | 18% |
| Rede pública | 11% |
| Rede privada | 25% |
| Uso de internet das coisas | 9% |
| Uso de tecnologia robótica com internet | 5% |



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